Catherine Millet, sobre orgasmo feminino e suas frustrações

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O currículo sexual de Catherine M. impressiona: a “melhor chupadora de paus de toda a França”, uma vedete do sexo grupal, a estrela de orgias com mais de trinta homens e uma sexualidade voraz. Aparentemente, uma máquina sexual, capaz de dar e de obter prazer sem limites. Mas a verdade?

Apesar da sexualidade exacerbada da renomada crítica de arte francesa que expôs suas memórias e sua vida íntima em uma polêmica autobiografia, para ela,

O orgasmo nunca foi uma obsessão. Gozando ou não, eu adorava as relações sexuais com homens em geral. Para mim, transar era simplesmente a continuação de minhas relações de amizade com eles. A finalidade do sexo era um prazer mais difuso. Quando eu passei, mais tarde, a buscar o orgasmo como um objetivo concreto, aí tive alguns problemas e frustrações.

Ou seja, apesar de tanto sexo, Catherine Millet durante muito tempo não soube o que era um orgasmo. Como muitas outras mulheres, ela passava pelo que se chama anorgasmia.

O que é a anorgasmia

A ausência ou inibição do orgasmo, mesmo quando há uma fase de excitação sexual adequada é chamada anorgasmia, sendo uma das disfunções sexuais mais comuns, juntamente com a falta de desejo. Nesta definição, porém, não se considera que uma pessoa sofra de anorgasmia caso ela consiga atingir o orgasmo através da masturbação. Resumindo, e trocando em termos populares, quem sofre de anorgasmia não consegue gozar.

Mas por que isso acontece? São diversas as causas, desde fatores biológicos (por exemplo, certos medicamentos, destacando-se os anti-depressivos geralmente levam a este efeito colateral; lesões cirúrgicas, uso excessivo de álcool ou de drogas e doenças neurológicas também) até os fatores psicológicos.

E neste ponto entram em cena os sentimentos de culpa e a repressão ao prazer sexual, ainda persistente em nossa cultura, levando muitas mulheres a não assumirem seu potencial erótico e a serem privadas de uma parte fundamental de sua vida sexual. Podemos dizer “mulheres” sem receio, pois a anorgasmia é bem pouco frequente entre os homens.

Felizmente, há cura para a anorgasmia. Uma vez eliminada a possibilidade de ser um fator biológico que cause a ausência do orgasmo, o tratamento passa pela psicoterapia e pela terapia de casais. Eliminar falsas expectativas em relação ao orgasmo, elevar a auto-estima, melhorar a comunicação sexual do casal e, finalmente, melhorar a capacidade sexual através de exercícios físicos para o fortalecimento dos músculos da vagina proporcionam ótimos resultados.

Porém, o passo inicial é fundamental é reconhecer o problema em primeiro lugar. Voltando ao início de nosso post, foi exatamente isso que aconteceu com Catherine Millet, quando ela se deu conta de que faltava “algo mais” em sua prolixa atividade sexual.

E você, já teve ou tem algum problema para chegar ao orgasmo? Compartilhe sua experiência, comentando logo abaixo.

Quem é Cahetrine Millet

Uma das mais respeitadas críticas de arte da França, Catherine Millet chocou a  França no ano de 2001, com suas memórias. “A Vida Sexual de Catherine M" vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares em 47 países. Afinal, não é todo dia que vemos uma representante da sociedade “legítima” contradizer de forma tão impactante os valores do casamento, da fidelidade, do sexo como expressão do amor…

Para saber mais, leia o perfil de Catherine Millet em nosso blog associado Sou Puta.


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